
Com quinze anos a gente acha que sabe da vida: acha que nossas escolhas são certas, que nossos medos são reais, que nossas expectativas tem fundamento. Com quinze anos é permitido ser frágil e amar eternamente até o dia seguinte, porque como nos ensinam desde sempre, só se tem quinze anos uma vez na vida. Encontrei o Depois dos Quinze exatamente aos meus 16 e desde o primeiro momento, me senti em casa: a menina por trás do blog me conhecia e saía falando de mim por aí em cada linha daqueles textos cheios de experiências normais de alguém daquela idade. Foi ela quem me ajudou a encarnar o papel de garota segura e enxergar além do pequeno horizonte de possibilidades que me esperavam ali. Eu não conheço a Bruna, mas eu sei quem ela é e de certa forma, eu sinto que ela sabe quem eu sou. Eu cresci com a Bruna, eu aprendi com a Bruna e mais do que tudo, eu sinto que a Bruna é uma amiga. Amiga daquelas que aparece pra dar o ombro pra chorar quando você toma um fora, e que ao mesmo tempo sabe a hora de nos empurrar de volta pra vida. Os dezoito anos da Bruna marcam o começo de uma nova fase para todas as leitoras, admiradoras e fãs como eu, que hoje se sentem no dever de acompanhar a vida dela como uma forma de sentirem mais próximas daquela que por tantas vezes, mesmo sem saber, nos deu nosso sorriso de volta. Nem tanta coisa muda depois dos dezoito, mas a Bruna tem esse dom de tornar os momentos especiais, de significar as coisas de uma importância que as vezes nem percebemos que elas têm. Portanto, a partir de agora, muitas coisas vão começar a acontecer na vida dela e eu me sinto privilegiada por me sentir parte de um dos tijolinhos desse caminho brilhante que a menina prodígio do interior de Minas Gerais vai trilhar. Parabéns, Bruna. Que essa luz que nasceu com você seja cada vez mais alimentada pela energia que transborda do seu coração. Obrigada por tudo. #depoisdos18day
Obrigada de verdade, mozi.. :3

“O problema de ser uma bagunça é que sempre tem alguém querendo arrumar. “Ah, eu consigo. Vou mudar essa garota”. Não, você não vai. Quando me lembro de quantas pessoas já decepcionei sinto até uma dor no peito, ah vai, eu sou sentimental às vezes.
Não me conformo com minha imutabilidade, todo mundo quer ser bobo um dia. Imagino que se apaixonar de verdade uma vez ou outra deve ser legal; passarinhos cantando para que você acorde e borboletas voando em seu estômago te mantendo viva. Tudo bem que depois de um tempo matamos os pássaros, borboletas e qualquer outro animal que insista em nos fazer de bobas; foi bom enquanto durou, mas que bom que passou. E então eu poderia fazer parte daquelas conversas de bar tão clichês e divertidas “Nossa, lembra como eu era idiota? 24 horas com um olhar vago pensando nele”. Quando esses assuntos começam eu logo dou um jeito de sair pela tangente, “Olha, que cara gato na mesa ao lado!”. Por favor, ser sem sentimentos não é algo que as pessoas gostam de ouvir ou que admiram, não, as pessoas julgam. “Até parece que você nunca se apaixonou ou ficou caidinha por alguém”, pois é amiga, nem eu acredito.
Quando penso nisso me recordo da minha infância desperdiçada em que assistia filmes da Disney, me imaginava encontrando um príncipe e sendo feliz para sempre. Acontece que além de eu ser problemática e ter alguns (muitos) problemas de confiança nos outros, príncipes não existem. Fui iludida! O cara não vai achar seu sapatinho perdido por aí e ir atrás de você; a realidade é bem diferente, se o cara acha um sapato é capaz de vender no mercado livre. Assim como você não é uma sereia e vai se apaixonar por um humano ou uma princesa que se apaixona por um plebeu. Infelizmente eu abri meus olhos muito cedo e me tornei essa pessoa cética que vocês estão vendo.
Viu, eu sou uma bagunça. Sou do tipo de mulher que se conhece um homem incrível começa a achar que ele está escondendo alguma coisa. Será que é um maníaco do parque? Está querendo se aproveitar de mim? Deve ser gay. E isso é culpa deles, não minha. Anos e anos conhecendo e desconhecendo todos tipos de caras me fizeram criar um estereótipo “perfeito”. Bonito porém burro; inteligente porém feio; bonito, inteligente porém gay e por aí vai. Sempre tem algum defeito, né. O problema está em querer achar alguém com um defeito encantador já que eu não me encanto nem com qualidades.
Daí conheço um cara. É, sempre conheço algum. Já chego jogando aberto e dizendo que não sou lá a pessoa mais fácil de se entender, ele diz que não liga, claro. Faço terror psicológico e ele ainda acha charmoso! O pior é que já sei o que se passa em sua mente “Vou mudar essa garota. Fazer ela gostar de mim”. Ah, vai, vai sim. Dá vontade de falar “Cara, não se ilude, sério.” Mas não dá, eles gostam assim. Depois de infinitas tentativas para quebrar a barreira que meu coração criou, eles se cansam. Descobrem que quem avisa amigo é, e eu avisei. Ah, avisei! Criou expectativa, se decepcionou. É o mandamento básico de uma vida acreditando no melhor das pessoas.
Já perdi as contas de quantos caras se decepcionaram por achar que eu era a mulher da vida deles. Eu sou a mulher da minha vida, preciso me entender, me decifrar, destruir minhas barreiras. Eu sou uma bagunça que não quer ser arrumada, não agora. Então por favor, desistam de tentar consertar quem não quer ser consertada. Preciso de tempo para colocar tudo em ordem e assim poder convidar alguém para entrar..” - Isabela Freitas

“E você foi tão idiota em não perceber que foi uma baita sorte encontrar com ela por aí e ela ainda te notar.”

“Eu tenho uma notícia não muito boa pra te dar. Meu amigo, você foi um grandíssimo filho da puta com ela, pelo o que parece. Não sei muito bem da história, mas sei dela. Sei que ela se escondeu de todo mundo por uns dias e chorou tanto que o rosto ficou inchado e os irmãos mais novos tinham medo de que ela morresse de alguma doença que transforma os outros em zumbis. E ainda tem o fato de que ela nunca soube lidar direito com rejeições amorosas. Ah, a menina é linda e mimada, você esperava o que? Ela é bem do tipinho que esnoba, esnoba e esnoba mais um pouco. Até que aparece um imbecil qualquer e se desinteressa por ela. Esse ponto da história é importante, veja bem: você se desinteressou por ela. Não houve interesse imediato e muito menos falta de interesse. Foi aquela coisa de olhar e pensar “bonitinha, arrumadinha, todo mundo quer, mas e daí”? Mal sabe você como essas gurias têm um faro aguçado para o desinteresse nos dias de hoje, meu amigo. E daí você cruzou a história dela.
Não sei muito bem o que ela pensou na hora. O relato não diz muito sobre isso. Mas eu sei que ela viu alguma coisa em você que lembrava um pouco dos babacas por quem ela já se apaixonou. Meu amigo, você não sabia nada sobre ela, não é mesmo? Aquela guria devia estar na faculdade ainda enquanto você já tocava violão, guitarra e baixo e ouvia um pouco de folk britânico nos finais de semana. Ela devia se preocupar em estudar para alguma prova enquanto você já pensava em como ganhar a vida e pagar o aluguel do seu apartamento. Pode falar a verdade aqui: aquele papinho de que ela era a mulher perfeita pra você era só porque ela te tirava do tédio, não era? Bom, foi o que ela disse. Mas ela limpou o rosto depois do episódio com os irmãos e a coisa toda de zumbis. E olha, parece que até viajou pela Europa pra aproveitar o clichê todo que foi ter que te esquecer.
Cá entre nós: o que você fez pra ela? Ah, sim, seu crime inafiançável foi a insensibilidade. Teu problema foi querer e querer e querer e nunca estar satisfeito com nada. Cruel, hein rapaz. Isso não se faz com mulher nenhuma. E você foi tão idiota em não perceber que foi uma baita sorte encontrar com ela por aí e ela ainda te notar. Agora ela já voltou e disse que não precisa mais de você. E você não deixou nenhuma marca, cicatriz ou sequela. Ela me disse que vai achar um cara legal que queira alguma coisa. Esperança bonita a dessa garota, hein.
E ela não era do tipo pra se conformar, meu amigo. Era do tipo que rendia uma história, dois livros e muitas noites bem vividas. Babaca! Opa, usei a exclamação sem querer. Veja só, ela anda melhor que antes. De infantil a mulher crescida. Nada que uma decepçãozinha não faça. Os pais se espantaram quando a menina mimada decidiu se formar logo e bancou o próprio apartamento. Não se fez de difícil pra vida, não. Levantou, sacudiu a poeira e pegou a liberdade dela. E tem encontrado caras legais e histórias fantásticas por aí. Bem, isso é o que diz essa carta que eu encontrei dentro de um livro na biblioteca. Não conheço a menina, mas pelo o que ela me diz aqui, ela está bem melhor agora. E quem perdeu foi você, meu amigo. Você acaba de descobrir que perdeu a mulher da sua vida.” - Daniel Bovolento

“O mundo hoje em dia é tão agitado e gira numa velocidade tão assustadora que por vezes dá um pouco de medo entrar nesse universo tão dinâmico. Talvez por isso as pessoas se unam em casais e formem sociedades afetivas, para que ao invés de dois, possam colocar quatro pés unidos nessa engrenagem maluca que é a vida. É que quatro dá uma ideia de equilíbrio maior a primeira vista, como se em algum momento aquela freada mais brusca ou aquela acelerada repentina da vida pudesse desestabilizar o “duo” que sustenta nossos corpos no chão, mas ainda assim houvesse mais um par sólido de base em que as pessoas se permitissem ancorar até se reerguerem novamente. Parece mais fácil assim. E de fato é.
E hoje eu acordei achando lindo essa história de escolher alguém pra construir a vida com a gente. Sim, construir, uma palavra extremamente forte e de igual valor. Porque atualmente todo mundo quer tudo de graça, fácil, de mão beijada. Ninguém quer construir nada. Passar pelas etapas fundamentais de montagem da base que sustentará toda a estrutura, a preparação da massa, colocar tijolo por tijolo divididos por uma sólida camada de cimento, até erguer um patrimônio único, de invejar os maiores arquitetos e engenheiros. Não, o mundo hoje é das facilidades. É a garota que deseja “laçar” um empresário de sucesso, regado a carros do ano e viagens internacionais nas férias, e o mesmo empresário que sabendo dessa ambição se permite escolher e exibir as mulheres que deveriam ser suas companheiras como apenas um corpo bonito ao seu lado.
Talvez soe meio conto de fadas, mas eu me permito ser a princesa vez ou outra na história que eu decidi escrever pra mim. Escolher alguém pra construir a vida com você, pra ser mais que seu namorado (a), noivo (a), marido (esposa), mas pra ser sua base, sua plataforma de sustentação quando a maquinaria da vida começa a se mover de forma muito rápida, é algo simplesmente LINDO. É você dizendo não importa quantos moinhos teremos que mover pra chegar lá, não importa quantos ventos teremos que enfrentar sem abrigo, não importa quantas vezes teremos que colocar aquele mesmo tijolo naquele mesmo lugar….eu estou aqui pra você. É dar um passo extra, quando a pessoa ao seu lado só consegue oferecer as mãos dadas para sempre.
É esse império que gostaria de deixar aos meus filhos um dia. Quero que eles possam dar valor ao momento e saibam desfrutá-lo com toda garra e paixão inerente da jovialidade. Que possam escolher um amor simplesmente pelo amor, sem “mas”, “poréns” ou parênteses. Que saibam construir. Porque o mais puro êxtase, vem de conseguir olhar pra trás e ver que de um terreno vazio e infértil, nasceu uma estrutura sólida, firme e inabalável. E o melhor de tudo, poder olhar para o lado e ter a certeza que sozinho você não teria chegado aonde chegou.
Hoje eu só desejo que saibamos escolher e acima de tudo, que sejamos sábios e corajosos o suficiente para de fato fazer as escolhas necessárias. Ás vezes é preciso abdicar de colocar dois pés em direção a caminhos claros e certeiros, para poder colocar quatro pés em trilhas misteriosas. Que para cada dia sem dinheiro, para cada mês sem conseguir viajar para ver o namorado, que para cada emprego árduo, haja dez vezes mais amor e garra para compensar isso tudo. Porque no fim, quando o emprego dos sonhos estiver em mãos, a casa estiver mobiliada, o carro for comprado, é que a gente se dá conta de que construiu muito mais que uma vida, mas sim, uma base de amor que tempestade nenhuma é capaz de derrubar.
O mundo é enorme e cheio de esquinas. Que a gente dobre cada uma delas com essa sede incrível de construir e que numa dessas curvas encontre alguém cujas vontades coincidam. E que se construam vontades. Se construam, e só…” - Danielle Daian